Entrevista com o CEO da Brio, Paulo Pinheiro

A Holding Beira-Rio S/A ou apenas Brio S/A é a SPE (sociedade de propósito específico) criada em junho de 2012 para comandar a remodelação do Beira-Rio e vai administrá-lo pelos próximos 20 anos. Atualmente tem como presidente o CEO (Chief Executive Officer) Paulo Urnau Pinheiro. Composta por dois sócios: Holding Andrade Gutierrez e o banco BTG Pactual, ou seja, a SPE é de 50% de cada um. Em seu primeiro ano de operação, em 2014, foram R$ 17,190 milhões de prejuízo. Em 2015 acabou saltando para R$ 30,456 milhões. O balanço de 2016 apresentou um déficit de 89,1 milhões. São mais de R$ 136 milhões de prejuízo acumulado nestes três anos.
Segue um pingue-pongue com Paulo Urnau Pinheiro.

Qual foi o déficit de 2017 e como se reverte isto?
Ainda não foram finalizados os relatórios da auditoria externa, que avalizam os balanços. Assim que estiverem disponíveis, serão publicados. Posso adiantar é que, tanto o Ebitda quanto o saldo operacional de caixa, foram positivos. Afinal, a Brio é um projeto de 20 anos. Estamos no quarto ano de operação, sendo que o primeiro (2014) foi uma operação de meio ano, após a Copa do Mundo. Dessa forma, pelo nosso projeto, temos uma curva de crescimento a buscar (em receitas e resultado). Isto é, a “grosso modo”, teremos 13 anos para pagar os empréstimos (financiamentos que viabilizaram as obras) e sete anos para buscar o retorno dos investimentos feitos pelos acionistas.

Série B

Até que ponto o Inter jogar na Série B em 2017 prejudicou os negócios da Brio?
Mais da metade do faturamento da Brio vem do futebol. O clube na B, o ingresso médio caiu, afetando o faturamento e não sendo compensado pelo aumento médio de público. Mas a Brio não é só futebol. Em nossas linhas de receita temos patrocínios e publicidade, merchandising, eventos, shows, lojas dentro e fora do estádio, catering, restaurante e estacionamento. O que fizemos foi buscar a ampliação do faturamento nas outras linhas. Alguns exemplos destas ações foram os sete shows que aconteceram no Beira Rio, além das festas eletrônicas ocorridas no Sunset e no EDG, em 2017.

Os recursos para cobrir o prejuízo são oriundos de terceiros, próprios ou acionistas?
Quando falamos em prejuízo, temos que distinguir resultado operacional (DRE) de resultado do exercício (balanço). O resultado do exercício é influenciado pelo pagamento dos financiamentos (principal + custo financeiro) e, portanto, ainda apresenta prejuízo. Já o resultado operacional, que não é afetado por estes itens, tem resultado positivo. O suporte financeiro, para os meses em que há prejuízo, vem exclusivamente dos acionistas.

Novo posicionamento em Marketing

Recentemente a Brio adotou medidas novas de marketing. Poderia explicar os motivos?
No último trimestre de 2016, iniciamos um estudo sobre comportamentos, cenários e tendências, através de uma pesquisa de mercado realizada pela empresa Vitamina e intitulada “Futebol é Emoção – um estudo sobre comportamento”. Pesquisando, debatendo e ouvindo torcedores, sócios, ex-sócios, não sócios, lojistas, consumidores, fornecedores, usuários e frequentadores do complexo Beira Rio, buscamos para cada sugestão, dúvida, crítica, elogio e opinião, as melhores respostas e os melhores caminhos a seguir. Ao longo de 2017, aprofundamos a busca pelas melhores respostas, através do “estudo do comportamento de consumo do torcedor em jogos de futebol e de usuários e frequentadores do Beira Rio em outros eventos”, realizado pela nova agência de comunicação e inteligência estratégica da Brio, a Agência Matriz.

Branding Plan – de volta ao jogo

Do conjunto de todas as informações e percepções, a Matriz gerou o trabalho que está norteando o passo a passo deste novo momento da Brio: “Branding Plan – de volta ao jogo”, onde foram definidos novos produtos, campanhas publicitária e promocional, bem como a reambientação de espaços, posicionamento estratégico, formatos de comercialização e marcas. Evoluindo, substituímos a nossa plataforma tecnológica, que faz a venda de ingressos, controle de acessos e gestão de contratos, com a empresa Imply, permitindo a integração com a plataforma do SCI e, com isso, facilitando a compra de ingressos.

Buscamos, também, uma nova agência de comunicação digital, para fazer a curadoria dos conteúdos digitais e nosso novo site, a empresa conjunto. A sinalização e os espaços físicos administrados pela Brio (notadamente o coração do Gigante), tem novo projeto arquitetônico. E, assim, vamos nos reinventando. Tudo está sendo feito para atender o que o torcedor colorado nos sinalizou e para que a experiência de frequentar o Beira Rio tenha o que de mais importante existe no futebol: a emoção.

Que espaço da Brio dá lucro no Beira-Rio? O Street Mall decolou ou ainda restam muitas lojas para alugar?
Todos os negócios já alcançam resultados operacionais positivos. Mas isto ainda não é suficiente para suportar o pagamento integral dos financiamentos. Neste momento, temos contratos que garantem 100% de ocupação nas 65 lojas internas e nas 10 lojas do Sunset. Em relação as 40 lojas externas, a ocupação é de 58% (23 lojas).

Há algum tempo surgiu a notícia de que a AG queria vender sua fatia no Beira-Rio. Há negociações com o Inter?
Esta informação deve ser solicitada para a própria AG, pois é assunto do acionista e não da Brio.

Matéria postada em 21 de abril de 2018  por Hiltor Mombach, Publicado em Esportes;

Disponível também em http://www.correiodopovo.com.br/blogs/hiltormombach/2018/04/54814/entrevista-com-o-ceo-a-brio-paulo-pinheiro/

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